[SÉRIES] Alice, da HBO, poderia ter o nome da capital paulista!

Vai-se embora o tamborim, a cuíca e o reco-reco. Sai de cena o malandro com ginga, o calor de 40° e o chope no final do expediente. Após Filhos do Carnaval e Mandrake, duas bem-sucedidas produções nacionais filmadas no Rio, a HBO lançou no domingo, 21, sua nova série brasileira: Alice.

Com direção geral de Karim Aïnouz e Sérgio Machado, o seriado conta a história de Alice (Andréia Horta), uma guia turística de 26 anos de Palmas, Tocantins. De casamento marcado e tudo mais, ela recebe a notícia de que seu pai ausente se suicidou em São Paulo.

Alice chega na capital paulista para o enterro e planeja ficar apenas um dia. Mas, como boa paulistana, um congestionamento a faz perder o vôo de volta. Sozinha, pede ajuda a uma amiga, que a leva para uma balada modernete regada de gente bonita, rica e sem pudores (mesmo!).

Bebida vem, bebida vai, ela termina a noite com o DJ. E é nessa que deixará irmão, avó e noivo em Tocantins e, como sua xará do livro de Lewis Carroll, atira-se na toca do coelho – no caso, a Paulicéia desvairada, o seu país das maravilhas.

Em cada um de seus 13 episódios, o seriado mostrará diferentes facetas de São Paulo e Alice vai descobrir (e aprender) algo novo da cidade. No segundo episódio, por exemplo, ela trabalha na Mostra Internacional de Cinema e assiste ao clássico filme São Paulo/SA, de Luís Sérgio Person.

Essa foi uma sacada dos diretores, que filmaram em mais de 100 locações paulistanas. “Queríamos fazer uma série em que São Paulo fosse a protagonista e mostrasse o olhar de quem não é daqui”, explica o cearense Aïnouz.

Uma característica curiosa é que a dupla optou por não mostrar São Paulo como uma selva de pedra onde impera a desigualdade social e a violência. “Usamos a palavra ‘solaridade’ desde o início. Sentia falta de alegria, de explosão e de otimismo no atual cenário audiovisual. Vivemos bem aqui (em São Paulo), sobrevivemos”, continua Aïnouz.

Outro destaque é a belíssima fotografia. Do retrô ao hi-tech, as filmagens foram feitas em película, com duas câmeras 16mm, e depois finalizadas em High Definition (HD). Os prédios, as luzes da cidade e os faróis dos carros são filmados de maneira hipnótica, numa viagem colorida a la Carroll. “É uma cidade sem ser realista. Há todo um encantamento criado por quem a vê”, diz Aïnouz.

Show do milhão

Cada episódio custou a bagatela de R$ 1 milhão -para se ter uma idéia, um capítulo de novela das 9 da Globo beira os R$ 300 mil – e as filmagens foram realizadas em seis meses. “A impressão é que filmamos sete longas sem intervalo”, brinca o baiano Machado que, assim como o colega de direção, acredita ter feito cinema em Alice, não TV. “Não sabemos fazer outra coisa.”

Grande parte do elenco e da equipe técnica da série não é paulistana. Ao final das filmagens muitos se descobriram Alices: apaixonaram-se pela cidade e ficaram, como a diretora carioca Márcia Faria.

Tomara que essas histórias, da vida real e da ficção, não sejam iguais à da Alice famosa e terminem em um grande sonho.

por Gustavo Miller
http://www.estadao.com.br

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